Aumento de afastamentos por transtornos mentais no trabalho: o que isso revela sobre saúde emocional e profissões mais impactadas

Afastamentos por transtornos mentais crescem no Brasil. Veja quais profissões mais adoecem emocionalmente e por que cuidar da saúde mental no trabalho é urgente.

Maike Batista Alves

2/3/20264 min read

a woman sitting in front of a laptop computer
a woman sitting in front of a laptop computer

Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais atingiram níveis recordes no Brasil nos últimos anos, refletindo uma tendência preocupante de adoecimento psicológico no contexto profissional. Em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos por motivos de saúde mental, número que superou o recorde anterior e evidenciou a urgência de se olhar com mais profundidade para as condições emocionais dos trabalhadores.

O crescimento contínuo desses números indica que, além dos fatores biológicos e individuais, o ambiente profissional pode ter um papel significativo no sofrimento mental. Saber quais profissões estão mais expostas, quais fatores contribuem para isso e como podemos agir preventivamente é essencial para profissionais de saúde, empregadores e trabalhadores. Neste artigo, vamos entender mais sobre esse fenômeno e suas implicações no bem-estar emocional.

O cenário atual da saúde mental no trabalho

Nos últimos anos, os transtornos mentais, especialmente ansiedade e depressão, têm se tornado cada vez mais prevalentes entre os trabalhadores brasileiros. Dados oficiais indicam que os afastamentos por problemas psicossociais atingiram o maior patamar em mais de uma década, com mais de meio milhão de licenças concedidas em 2025.

Esse aumento não é um evento isolado: pesquisas epidemiológicas apontam que condições como Burnout, ansiedade e depressão são fatores frequentes por trás das ausências e incapacidades temporárias no trabalho em diversas partes do mundo.

O que são transtornos mentais relacionados ao trabalho?

Transtornos mentais relacionados ao trabalho são aqueles que surgem ou se agravam em razão de fatores psicossociais intensos no ambiente ocupacional, como: pressão constante por resultados, jornadas longas ou falta de suporte organizacional.

Por que esses dados são alarmantes?

Eles representam não apenas números de afastamento, mas histórias humanas de sofrimento, exaustão e perda de qualidade de vida. Cada licença médica exige cuidado, suporte e, muitas vezes, acompanhamento terapêutico especializado, o que impacta diretamente a saúde emocional do trabalhador.

Profissões mais afetadas pelo adoecimento mental

Embora quase todas as áreas possam ser impactadas, algumas ocupações mostram prevalência maior de afastamentos por transtornos mentais, seja por exigências emocionais, rotinas estressantes ou alta cobrança por desempenho.

Atendimento ao público e serviços essenciais

Funções como vendedor do comércio varejista, faxineiro, auxiliar de escritório e assistente administrativo aparecem com destaque nas estatísticas de afastamento por transtornos mentais, segundo levantamentos jornalísticos e análises de dados.

Essas ocupações frequentemente envolvem:

  • Contato constante com pessoas e demandas emocionais

  • Pressão por metas e resultados

  • Baixa autonomia sobre a organização do próprio trabalho

Esse conjunto de fatores pode contribuir para desgaste emocional e desregulação emocional ao longo do tempo.

Profissionais de saúde e educação

Pesquisa global sugere que trabalhadores em áreas de saúde e educação enfrentam níveis elevados de estresse ocupacional, com impacto significativo sobre o bem-estar mental.

Em especial nesses campos, fatores como:

  • Carga emocional intensa

  • Exposição a situações de sofrimento alheio

  • Sobrecarga de trabalho

podem elevar o risco de Burnout e distúrbios afetivos relacionados ao trabalho.

Setores com alta demanda emocional

Outras profissões tradicionalmente apontadas em estudos internacionais por apresentarem maior intensidade emocional, como aquelas ligadas à arte, cultura e serviços de apoio, também refletem padrões similares de sofrimento mental.

O papel do contexto social e econômico

Ainda que os dados variem conforme o estudo e o país, condições de trabalho precárias, insegurança no emprego e baixa autonomia profissional consistentemente aparecem como fatores que intensificam a probabilidade de adoecer mentalmente.

Por que isso importa para o profissional hoje

O adoecimento mental no ambiente de trabalho não é apenas um problema individual. Ele tem impacto coletivo significativo:

Consequências para a vida pessoal

Quando a saúde mental é comprometida, é comum que o indivíduo experimente:

Esses efeitos reverberam fora do ambiente de trabalho, afetando relações pessoais e qualidade de vida.

Impacto na carreira e produtividade

Afastamentos frequentes e prolongados podem frear o desenvolvimento profissional, limitar oportunidades e gerar insegurança emocional contínua.

Custo emocional para as organizações

Empresas com altas taxas de afastamentos por saúde mental podem sofrer com:

  • Queda de produtividade

  • Rotatividade elevada

  • Ambientes de trabalho menos saudáveis

E isso reforça a importância de políticas organizacionais que promovam bem-estar emocional.

Saúde mental como direito e bem-estar fundamental

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que ambientes de trabalho saudáveis não apenas reduzem riscos psicossociais, mas também promovem inclusão, apoio e qualidade de vida para os trabalhadores.

Estratégias para promover saúde mental no trabalho

Para além de compreender o problema, é essencial considerar como agir:

Construção de ambientes psicologicamente seguros

Organizações podem investir em:

  • Cultura de apoio emocional

  • Treinamentos de inteligência emocional

  • Espaços de diálogo aberto

Promoção de equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Regulação de jornada, pausas regulares e incentivo a descanso são ferramentas importantes para prevenir o desgaste mental.

Capacitação e suporte emocional

Programas de educação emocional, incluindo habilidades de regulação e consciência emocional, ajudam trabalhadores a identificar sinais precoces de sofrimento e buscar ajuda.

Inserção de práticas terapêuticas e prevenção

A terapia, abordagens de regulação emocional, e programas de prevenção de Burnout e estresse, podem mitigar o impacto antes que o adoecimento se agrave.

Conclusão

O aumento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil é um reflexo claro de que a saúde emocional no trabalho exige atenção urgente. Não se trata apenas de números estatísticos: trata-se de vidas impactadas, carreiras interrompidas e um chamado para ambientes de trabalho mais humanos, sustentáveis e emocionalmente inteligentes.

Ao integrar políticas de bem-estar emocional, educação psicológica e suporte clínico, empresas e indivíduos podem trabalhar juntos para transformar esse cenário, promovendo um trabalho não apenas mais produtivo, mas verdadeiramente saudável.

Se você está enfrentando sinais de exaustão emocional ou conhece alguém que está lutando para manter a saúde mental no trabalho, pode ser útil conversar com um especialista em regulação emocional e autoestima.

Sua mente em paz é sua maior conquista!

Referências:
https://contec.org.br/brasil-tem-mais-de-546-mil-afastamentos-por-saude-mental-em-2025-e-bate-recorde-pela-segunda-vez-em-10-anos/
https://alagoasalerta.com.br/noticias/economia/brasil-tem-mais-de-2-mil-profissoes-com-afastamentos-por-transtornos-mentais
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10729225/
https://www.psychiatry.org/news-room/apa-blogs/occupations-with-the-highest-mental-distress
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work